NOS BRAÇOS DE

V. de Grippe

Nos braços da gripe

© Caters News Agency

Vem com a noite e o frio. Chega disfarçada de gente boa e vestida quase a matar. Porta uma graça invisível e traz o silêncio consigo. Não a oiço, só a pressinto. Deixo-a entrar. V. de Grippe, apanho no ar; à laia de apresentação. Não sei se sonhado se por uma brisa sugerido. O seu aperto é gélido e forte. Não é um convite e sigo-a no escuro no único caminho, o do quarto.

Pestanejo e de Grippe, sempre invisível na penumbra, aparece já despida. Um bater de pálpebras é a distância que nos separa. Febril e insaciável parece querer entrar dentro de mim. Abraçamo-nos e enrolamo-nos. Encontramo-nos e somos um só, fundidos no calor da febre. Perdemos tino e visão, cama e lençol. Espraiamo-nos um no outro e esquecemos a fome e a manhã.

Acordo de corpo dorido e alma massacrada, os lábios mordidos pela febre nocturna. O corpo desgastado pede sossego, sonha com alívios que não chegam. Pela manhã reconheço as formas de V. de Grippe que havia partido quando ainda noitejava. A febre não abranda mas o delírio já não persiste.

À luz da manhã de inverno os objectos reencontram nomes e contornos. E quem me visitou de noite já não veste nome exótico. A mulher quase fatal que me havia visitado não fora mais do que a virose da gripe.

Até Sempre;

SonhosDigitais

(A imagem é propriedade de © Caters News Agency. Esta e outras imagens encontram-se neste artigo

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2125576/Painter-uses-womens-naked-bodies-canvas-create-stunning-living-artwork.html)

Publicado originalmente há um ano, quando só tinha 2,48 leitores/dia. Agora que já tenho 3,25 leitores/dia achei que valia a pena republicar. E não, não tem mesmo nada a ver com informática.

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Um comentário a “NOS BRAÇOS DE

  1. Eu já desconfiava que me andavas a trair… mas vá lá, pelo menos descreveste a coisa com classe

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